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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A BATALHA DE MONTE CASSINO

Há exatos 74 anos, dava-se início a Batalha de Monte Cassino. Durante a campanha italiana, os aliados tentaram impedir que alemães e italianos utilizassem de uma série de fortificações, construída de costa a costa desde o Rio Garigliano desaguando no Mar Tirreno, a oeste, através dos Apeninos até a foz do Rio Sangro na costa do Mar Adriático, a leste.  Durante os combates pela região fortificada, destaca-se a sangrenta batalha ocorrida em Cassino.

Soldado paraquedista alemão em posto de observação, avistando
todo o vale de Monte Cassino

A geografia italiana impunha obstáculos naturais que impediam o avanço de tropas. Aproveitando-se disso, a Itália Fascista, em parceria com o governo alemão, em especial com as Organizações Todt, construíram a Linha de Inverno. O primeiro setor era chamado de “Linha Gustav”, organizado ao sul de Roma, num ponto elevado, que dava a vantagem para os que ali estavam. Essa era a ultima defesa nazi-fascista contra o avanço aliado pela capital. A fortaleza era guarnecida por pelo menos 15 divisões da Wehrmacht, sob o comando do General Albert Kesselring e possuía uma única fraqueza expressiva, que eram os ataques anfíbios, porém os alemães não cogitaram isso como possível, por causa do inverno. No ponto mais alto, encontrava-se a Abadia de Monte Cassino, onde encontravam-se aquarteladas pelo menos 03 divisões de infantaria e duas divisões blindadas da Wehrmacht.
Foram realizadas quatro investidas, tendo a primeira iniciado em 17 de janeiro de 1944, quando duas divisões do X Corpo de Exército Britânico atacaram as posições inimigas, porém sem nenhum sucesso, sofrendo inúmeras baixas, ocasionadas pela artilharia alemã e pelos intensos ataques da XIV Panzer Corps. Enquanto isso, as forças argelinas e marroquinas atacavam as posições da 5ª Divisão de Infantaria de Montanha Alemã, conseguindo segurar os ataques por uma semana, depois disso tiveram que recuar no dia 31 de janeiro. Seguindo no dia 22, os aliados atracaram em Anzio, nas proximidades da Linha Adolf Hitler, com o intuito de atacar a retaguarda alemã, enfrentando forte resistência. Depois de vários planos e tentativas, os aliados optaram por bombardear a Abadia de Monte Cassino, com a única intenção de desativar o prédio que estava sendo usado como posto de observação. E assim foi feito. No dia 15 de fevereiro, os bombardeiros B-17 e B-26 passaram por sobre a abadia, realizando 3 investidas, que começaram às 09h28 contando com aproximadamente 220 aviões. Além do ataque aéreo, as artilharias terrestres abriram fogo contra o prédio com suas armas de 250mm. Dizem que apenas uma parede ficou de pé. Um fato interessante é que depois de todo esse bombardeio na abadia, fora descoberto que ninguém estava lá, os alemães só se posicionaram lá após os bombardeios, nos escombros.

Soldados alemães capturados por tropas britânicas

Depois de incontáveis investidas, eis que no dia 18 de maio, Monte Cassino passa, enfim, para o controle aliado. O 2º Corpo Polonês travou uma batalha de 07 dias para, no dia 18, conseguir controlar a abadia. Agora eles podiam seguir rumo a Roma. Oitocentos e sessenta soldados poloneses morreram e 2.800 ficaram feridos. Os poloneses hastearam sua bandeira no meio dos destroços da abadia. Conseguindo controlar a região de Cassino, os aliados logo se aprontaram para seguir em direção ao seu objetivo. Agora, as forças aliadas estacionadas em Anzio conseguiriam avançar, e no dia 23 de maio efetuaram um ataque por detrás da linha Gustav, num esforço conjunto entre as forças francesas e britânicas. 
Destroços de Monte Cassino após a batalha
Com isso, os alemães são forçados a recuar, passando a defender a partir de Anzio, na tentativa de conter o abastecimento aliado pelo mar. Todavia, mais um fracasso recaiu sobre os alemães, que recuariam mais até ficarem apenas na defesa de Roma, que viria a cair em 04 de junho de 1944. 


Postado por Diego Saviatto

Segunda Grande Guerra







quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

ATAQUE A BASE NAVAL DE PEARL HARBOR

Nas primeiras horas da manhã do dia 7 de Dezembro de 1941, uma equipe de técnicos de um sistema de radares,recentemente instalado nas ilhas do Hawaii, encontrou um distúrbio elétrico que não conseguiram identificar. A mancha que aparecia nos radares foi identificada como uma anomalia típica de um sistema ainda em fase de testes. Todavia, essa mancha estava registrando um devastador ataque que estava prestes a acontecer.


Os japoneses já consideravam a iminência de um entrave contra os norte-americanos, principalmente após as grandes invasões perpetradas pelo Império Japonês nas ilhas do Pacífico,Com isso, decidiram levar a cabo uma operação de ataque surpresa contra a frota americana do Pacífico, tornando assim impossível que esta viesse em auxilio de holandeses e britânicos que lutavam no continente asiático. A operação foi planejada secretamente desde o inicio de 1941, tendo sido criada uma miniatura da base naval, onde se encontravam posicionadas miniaturas dos principais navios da esquadra americana do pacífico.
As forças japonesas estavam organicamente divididas em três divisões, com um total de seis porta-aviões como principais navios da esquadra. A primeira divisão era constituída pelos porta-aviões Akagi e Kaga. A segunda divisão era constituída pelos porta-aviões Hiryu e Soryu. E por fim, a terceira divisão era constituída pelos porta-aviões Zuikaku e Shokaku.
Os porta-aviões transportavam cerca de 400 aeronaves entre aviões bombardeiros, torpedeiros e caças. A frota foi reunida e, a partir de 26 de Novembro, rumou em sigilo para se encontrar em alto-mar. Os navios seguiram uma rota pelo Pacífico Norte onde a possibilidade de ser detectada era menor. No dia 06 de Dezembro, nas vésperas do ataque, os navios encontram-se cerca de 800Km ao norte de Pearl Harbor.
Aviões japoneses se preparam para decolar de
 um Porta-Aviões rumo a Pearl Harbor
Os aviões da primeira leva de ataque descolam dos porta-aviões japoneses por volta das 6 horas da manhã de 07 de Dezembro. Este grupo era constituído por 213 aviões, sendo 86 aviões torpedeiros B5N2 Kate, 81 bombardeiros D3A1 Val e 43 caças de escolta A6M2 Zero. A segunda leva do ataque começou a ser preparada logo que a primeira estava no ar. Seria constituída por um total de 172 aviões, divididos entre 52 B5N2 Kate, 80 D3A1 Val e 40 A6M2 Zero, que descolam dos porta-aviões por volta das 07h00min.

Hangares e aviões em chamas após a primeira leva de ataques

Apesar dos quase 2500 mortos e outros milhares feridos, 14 embarcações seriamente danificadas ou afundadas (entre couraçados, contratorpedeiros, lança-minas e cruzadores), além dos danos à base de Pearl Harbor, é ponto pacífico dos historiadores o real fracasso dessa operação, pois os porta-aviões, principais alvos dos japoneses, não estavam aportados no momento do ataque. Além disso, o ancoradouro dos submarinos e as oficinas de reparo não foram atingidos, permitindo que a Marinha dos Estados Unidos pudesse se recuperar rapidamente, reparando grande parte das embarcações atingidas e entrasse definitivamente na Guerra.

Postado por Diego Saviatto


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

THERESIENSTADT– DO LEITO DE MORTE DO ESTOPIM DA PRIMEIRA GUERRA À CAMPO DE CONCENTRAÇÃO

Há 76 anos, em 24 de novembro de 1941, era inaugurado o Campo de Concentração e Ghetto de Theresienstadt.
O TRABALHO LIBERTA - Famosa frase escrita na entrada do Pequeno Forteem Theresienstadt.
Localizado e construído na então Tchecoslováquia (atual República Tcheca), na cidade de Terezin, nos idos de 1780. A Fortaleza de Theresienstadt fora um desejo do Arquiduque da Áustria e monarca do Sacro Império Romano-Germânico Joseph II. Theresienstadt deveria ser parte de um complicado sistema de fortalezas que protegeriam a monarquia, porém, apenas esta fora finalizada, haja vista que no ano de sua conclusão, em 1790, fora o mesmo em que o Imperador viera a falecer. Com o passar dos anos e o evoluir das formas de guerra, a Fortaleza de Theresienstadt se tornara obsoleta para o uso da qual fora planejado. Sendo assim, na virada do Século XIX para o Século XX, o forte passou a ser utilizado como prisão. Dentre um dos mais conhecidos prisioneiros a tomar residência nas celas de Theresienstadt fora o famigerado Gavrilo Princip, o algoz do Arquiduque Franz Ferdinand e sua esposa, motivo este que dera o estopim para a deflagração da Primeira Grande Guerra. Gavrilo Princip veio a óbito na principal cela do complexo ainda em 1918, devido a uma tuberculose.
As solitárias de Theresienstadt
Eis que passam-se os anos e Adolf Hitler se torna o Führer da Alemanha, lançando seu olhar e seus punhos de aço para os países vizinhos. Hitler já havia adicionado a Áustria ao território alemão, por meio da Anschluss, ou Grande Anexação, em 1938, alegando que a Alemanha precisava de um espaço vital (Lebensraum) para a expansão territorial do povo alemão. Agora, a menina dos olhos do Führer era a Tchecoslováquia, cujo alvo principal era os Sudetos, região predominantemente alemã, localizada no entrave territorial entre Boêmia, Morávia e Silésia. Após uma demorada reunião em que estavam presentes o Führer Adolf Hitler, o então primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain, o também primeiro-ministro Édouard Daladier da França e o ditador italiano Benito Mussolini, se chegou num acordo conhecido como Pacto de Munique, ao qual, em nome de uma malfadada paz mundial, destroçou-se a soberania nacional da Tchecoslováquia. Em 10 de março de 1939, Hitler desrespeita o acordo firmado no pacto, de ocupar tão somente a região dos Sudetos, vindo a invadir toda a Tchecoslováquia, transformando-a numa nação fantoche da Alemanha Nazista.
Já durante a ocupação alemã, iniciou-se a caça aos judeus tchecos. Em 10 de junho de 1940, a Gestapo passou a ter o controle da cidade de Terezin, e com isso, do Forte de Theresienstadt, do qual manteve-se a função de prisão até o ano seguinte, quando fora transformado esse complexo murado num híbrido de Guetto e Campo de Concentração. Inicialmente, a SS usara somente a “fortaleza menor” como prisão para inimigos políticos e contrários à ocupação do país. Todavia, com as demandas de prisioneiros em decorrência da deflagração da Operação Barbarossa, em julho de 1941, os alemães passaram a usar todo o complexo de fortificações a partir daquele ano, transformando-o em um Campo de Concentração. Segundo levantamento da Cruz Vermelha, aproximadamente 150 mil judeus e demais prisioneiros foram alocados em Theresienstadt.  A maioria dos reclusos eram judeus checos. Todavia, haviam judeus e prisioneiros vindos de todas as partes da Europa, principalmente do Leste. Dentre os prisioneiros, cerca 40.000 eram da Alemanha, 15.000 da Áustria, 5.000 da Holanda e 300 do Luxemburgo, além de um grupo de cerca de 500 judeus dinamarqueses, eslovacos e húngaros que foram alocados no gueto. Cerca de 1.600 crianças judias vindas da fronteira com a Polônia foram deportadas de Theresienstadt para Auschwitz, da qual acredita-se que nenhuma tenha sobrevivido.

Um dos beliches dispostos aos prisioneiros 
Os prisioneiros eram constantemente guardados por guardas da SS, bem como policiais voluntários tchecos. O Campo de Concentração de Theresienstadt estava estrita e diretamente submetido às ordens do SS-Obersturmbannführer Otto Adolf Eichmann e seus homens. Eichmann era o braço direito do SS-Obergruppenführer Reinhard Heydrich para o assunto de deportações judias nos territórios ocupados do Leste Europeu. Além de prisioneiros advindos do Centro-Leste europeu, houve um caso em que prisioneiros de guerra provenientes do Reino Unido e suas colônias foram enviados para Theresienstadt, como punição por tentativa de fuga de outros campos. No pós-guerra, a Alemanha fora condenada a pagar aproximadamente 1 milhão de euros ao Reino Unido, pois manter prisioneiros de guerra dos países signatários da Convenção de Genebra em tais condições de campo era um crime de guerra.
O principal trabalho realizado no campo era o de fornecer ao esforço de guerra alemão minérios de Mica, um mineral de alto brilho, amplamente usado para a confecção de conectores para o sistema de rádio usado nos blindados e bases alemães. Além disso, os presos do complexo tinham a função de tingir os uniformes dos soldados alemães, que passaram a enfrentar o inferno gelado soviético. Segundo os ex-prisioneiros, Theresienstadt também servia como um centro de classificação e redistribuição de roupas íntimas e demais peças de roupas confiscadas dos judeus, que seriam destinadas aos cidadãos alemães que estavam perdendo suas casas e roupas com os constantes ataques aéreos aliados.
Depois do deflagrar da Operação Overlord e da Invasão da Normandia no Dia-D pelos aliados ocidentais, bem como o constante avanço soviético pelo leste, os alemães já vislumbravam o malfadado fim do Terceiro Reich. Ante a derrota iminente, os oficiais da SS passaram a realmente se preocupar com os boatos que circulavam acerca dos campos de extermínio. Tentando esconder tais informações, permitiram que representantes da Cruz Vermelha Dinamarquesa e da Cruz Vermelha Internacional visitassem. A comissão realizou a visita em 23 de junho de 1944, acompanhados do Dr. Eigil Juel Henningsen, médico principal do Ministério da Saúde dinamarquês, e Franz Hvass, o principal funcionário do Ministério das Relações Exteriores dinamarquês. O Dr. Paul Eppstein foi instruído pela SS para atuar no papel de “prefeito” de Theresienstadt. Para se prepararem para tal visita, iniciou-se a “Operação Embelezamento”, a qual os judeus com aparência e saúde mais debilitada foram deportados para Auschwitz, lojas e cafés falsos foram construídos, além de terem obrigado aos judeus a deixaram o campo impecavelmente limpo. Os representantes da Cruz Vermelha foram conduzidos em uma turnê seguindo um caminho previamente designado por uma linha vermelha em um mapa, da qual conversaram com judeus que foram obrigados a falar exatamente o que os alemães queriam. O resultado dessa visita foi deveras óbvio. A Cruz Vermelha constatou a vida razoavelmente tranquila que os judeus daquele campo levavam, onde se respeitava as leis que regiam o tratamento de prisioneiros de guerra da época.

Mulheres judias enfrentam o rigoroso inverno com
pouquíssima roupae cobertas
Após o sucesso da maquiagem feita em Theresienstadt, do qual conseguiu-se mostrar ao mundo um campo de internamento modelo atestado pela Cruz Vermelha, os nazistas decidiram gravar um filme de propaganda no local. O filme fora dirigido por um dos detentos, o judeu Kurt Gerron. Kurt fora um renomado ator na época, chegando a contracenar com a belíssima atriz alemã Marlene Dietrich em “O Anjo Azul”, filme que ganhou fama no mundo todo, inclusive no Brasil. As filmagens duraram onze dias, de 01 a 12 de setembro de 1944. Depois da conclusão e lançamento da película, Kurt e grande parte do elenco foram mandados para Auschwitz. Gerron foi gaseificado em 28 de outubro de 1944.
Segundo dados da Cruz Vermelha, durante os três anos e meio de funcionamento, dos quase 150 mil prisioneiros que passaram por Theresienstadt, cerca de 88.000 prisioneiros foram deportados para Auschwitz  e Treblinka.  Quando os russos chegaram a Tchecoslováquia, em 08 de maio de 1945, pouco mais de 17 mil haviam sobrevivido. Os governos da Dinamarca e Holanda, já livres do jugo nazista, se comprometeram com os resgates dos sobreviventes dos seus respectivos países, enviados primeiramente para a Suíça e posteriormente para casa. Dentre  os prisioneiros que foram encarcerados no Campo de Concentração, uma das mais importantes, sem duvida alguma, foi Esther Adolfine Freud, ninguém menos que a irmã do famoso neurologista alemão Sigmund Freud.


Postado por Diego Saviatto

FONTES:

 - ADLER, H.G. THERESIENSTADT, 1941-1945 - Ed 1. CAMBRIDGE – USA. 2015.
 - CHLADKOVA, Ludmila (2005). O GUETO DE TEREZÍN – texto original do inglês. Traduzido em 24/11/17.
 - FOTOS: www.penaestrada.blog.br/o-campo-de-concentracao-de-terezin-parte-i/