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terça-feira, 9 de maio de 2017

A WEHRWOLF, A DIVISÃO DE LOBISOMENS DA SS

    A Wehrwolf fora instituída no ano de 1944 pelo Reichsführer-SS Heinrich Himmler para servir como uma divisão atuante dentro das linhas inimigas, com o intuito de realizar sabotagens e causar o terror nos acampamentos dos soldados inimigos, inspirados nas técnicas usadas pelos partisans inimigos. Porém esta divisão merece destaque pela sua atuação como uma milícia de resistência durante e depois da Batalha de Berlim. O nome Werwolf, que popularmente fora adotado o nome Wehrwolf, em alusão ao nome do exército regular da Wehrmacht, veio inspirado num romance datado de 1910 chamado DER WERWOLF, que diz respeito a um camponês, Harm Wulf, que depois de ter sua família assassinada por soldados saqueadores, organiza seus vizinhos em uma milícia para perseguirem os soldados sem piedade e executar quaisquer um que capturassem, chamando a si mesmos como Werwölfe.

O SS Obergruppenführer Hans-Adolf Prützmann, comandante dos Wehrwolf e o Reichsführer-SS Heinrich Himmler, juntamente com outros oficiais em conversa num dos campos de treinamento dessa unidade de guerrilha

    Ela era composta por jovens remanescentes de divisões da HitlerJunged, idosos, veteranos de guerra e soldados advindos de divisões da Wehrmacht e da própria Waffen-SS. Todos os que estavam dispostos a praticar o ato da resistência contra a iminente tomada de sua terra pelas forças armadas dos vermelhos eram aceitos. Himmler ordenara que fosse feito um treinamento semelhante aos Commandos dos aliados e para tal, locais secretos para treinamento foram estabelecidos na Renânia e Berlim, sendo entregue o comando dessa força militar ao SS-Obergruppenführer Hans-Adolf Prützmann. O mesmo tinha estudado as táticas de combate usadas por guerrilheiros soviéticos enquanto a Wehrmacht se estabelecia nos territórios ocupados da Ucrânia e a ideia era ensinar essas mesmas táticas aos membros da Wehrwolf.
O SS-Obergruppenführer Hans Adolf Prützmann e o Reichsführer-SS Heinrich Himmler na Ucrânia, em 1941.
    As tropas deveriam receber armamento especial, como silenciadores para suas pistolas Walther, uniformes com camuflagem especial, dentre outras regalias, coisa que na pratica nunca chegou a ser feita, devido às dificuldades no abastecimento e na distribuição de armas num Reich já em colapso. Depois de longo e intenso combate durante a Batalha de Berlim e da total rendição da Alemanha Nacional-Socialista em que combateram ao lado dos jovens da HitlerJunged e os voluntários da Volksstum contra os vermelhos, os Wehrwolfs foram para o anonimato, porém continuaram fazendo seus trabalhos de sabotagem até os primeiros anos da Guerra Fria, atuando em ambas as Alemanhas contra os norte-americanos e principalmente fazendo uma vingança pessoal contra os soviéticos.

Jovens alemães que participavam das atividades de guerrilha da Wehrwolf capturados por soldados norte-americanos no final de 1945
    Em resposta a isso, os vermelhos faziam buscas para encontrar a resistência nacional-socialista e quando encontravam, os torturavam até que entregassem os demais companheiros, coisa que era facilmente conseguida, afinal em grande maioria, os integrantes da Wehrwolf eram apenas jovens ou velhos com pouco ou nenhum preparo psicológico. Um total de 15.000 jovens foram presos em campos especiais do NKVD, onde apenas 1/5 destes retornaram. Por parte dos norte-americanos, Eisenhower acreditava que esta atividade poderia ocasionar até mesmo uma guerra civil entre as zonas distritais alemãs. Soldados foram reunidos e treinados para que atuassem de forma pontual, contendo todo e qualquer conflito e ação da resistência. Apesar de ser comum, a atuação dos Wehrwolfs sobre o domínio americano fora em menor escala, se comparada com o que fora feito contra os soviéticos.
    Em meados do conflito da Guerra Fria, o Alto-Comando soviético lançara nota, alegando que toda a forma de resistência advindas dos Wehrwolf fora contida e os responsáveis estavam sofrendo com as medidas cabíveis. Depois disso, não se ouviu mais nada sobre a ação da resistência alemã

Postado por Diego Saviatto

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O SUICÍDIO DA JOSEPH GOEBBELS E A RENDIÇÃO TOTAL DA ALEMANHA


    Há 72 anos, no dia 1º de maio de 1945, o Ministro da Propaganda do Reich, Gauleiter de Berlim, e recém-nomeado Chanceler da Alemanha, Paul Joseph Goebbels cometia suicídio no Bunker da Chancelaria.

O Ministro da Propaganda do Terceiro Reich, Joseph Goebbels, em sua foto emblemática,
capturada durante um discurso, nos tempos áureos do Reich de Hitler


    No dia anterior, poucas horas depois de assumir o cargo de Chanceler da Alemanha, após a morte de Adolf Hitler, o Dr. Joseph Goebbels decidira adiar o seu já tão anunciado suicídio. Em carta endereçada ao Comandante em chefe das Forças Armadas da URSS, comunicou o suicídio de Hitler e a norma de sucessão vigente (juntamente com a promoção de Goebbels, o Führer havia determinado que o Almirante Karl Dönitz assumisse o cargo de presidente do Reich) anexado de uma oferta de trégua e posteriores negociações de paz, passada as mãos do Coronel-General e comandante do 8° Exército de Guarda Vassili Chuikov, que entrou em contato com o Marechal Gueorgui Jukov, comandante do Exército soviético na Batalha de Berlim e este por sua vez comunicara o ditador Josef Stalin. Horas depois chegara à negativa de Moscou. Nela constava que a possibilidade de trégua era inviável e que se esperava uma capitulação das Forças Armadas do III Reich.
    No dia 1° de maio, Goebbels fora informado do resultado das tratativas e enviara outra delegação a Chuikov, obtendo a mesma resposta. Assim sendo, Goebbels finalmente inteirou Dönitz da morte de Hitler e a ordem de sucessão. O novo Chanceler teve o cuidado de tentar um potencial cessar-fogo antes de Dönitz assumir. Depois de uma reunião com os que ainda habitavam o Bunker, liberou-os para que tentassem por sorte e conta em risco fugir de Berlim, e novamente anunciou seu suicídio, assim como o de sua família. 

A Família Goebbels - Na fileira de trás temos Hildegard (segunda filha), Harald Quandt (filho de Magda Goebbels, quando fora casada com o empresário Günther Quandt. A imagem fora manipulada, para que Harald, que estava servindo a Luftwaffe como cadete, pudesse aparecer) e Helga Susanne (primeira filha). Na fileira da frente temos Helmut Christian (terceiro filho), Hedda Johanna (quarta filha), Magda Goebbels, Heidrun Elisabeth (filha mais nova), Joseph Goebbels e Holde Kathrin (quinta filha);

    Fora a esposa de Goebbels, Magda, que ficara encarregada de providenciar a maneira de matar seus filhos da forma menos dolorosa possível. Magda chamara o médico pessoal do Führer, Dr. Ludwing Stumpfegger e este aplicara uma dose cavalar de morfina nas crianças, em seguida, a senhora Goebbels esmagara cápsulas de cianeto de potássio na boca de cada um.
    Joseph tentara convencer sua esposa para que fugisse para junto de Harald, filho de Magda num outro casamento, mas ela rejeitara e na carta endereçada ao filho dissera aquilo que marcou e mais demonstrou sua fidelidade e loucura ao nacional-socialismo e a Adolf Hitler: “[...] não vale a pena viver num mundo que há de vir depois do Führer e do Nacional-Socialismo, por isso eu trouxe os meninos para cá. Eles são bons demais para a vida que virá depois de nós e um Deus misericordioso há de compreender se eu mesma lhes der a salvação [...]”.
    Às 20h30 daquele 1° de maio, Joseph e sua esposa saem do quarto. Goebbels veste seu casaco e seu tão usado chapéu, que estavam pendurados num cabide. Ofereceu o braço à Magda e rumam para fora do Bunker. Antes de sair, Goebbels se despede do ajudante de Hitler, Günter Schwägermann e lhe entrega uma fotografia de Hitler, que estava em sua escrivaninha. Silenciosamente deixam o Bunker pela saída do jardim. Joseph e Magda cometem suicídio usando, tal qual Adolf e Eva Hitler, cápsulas de cianeto de potássio. Minutos depois, Günter vai até os corpos que ali jaziam e dispara contra eles, cumprindo assim as ordens de Goebbels. Coloca os cadáveres em uma vala, despeja gasolina neles e depois ateia fogo.

Equipe de médicos soviéticos fazem a autópsia no suposto corpo incinerado de Joseph Goebbels, encontrado numa vala, no jardim do lado de fora do Führerbunker.

    E assim o Terceiro Reich de Adolf Hitler, que deveria durar mil anos, rumava para a sua derradeira semana. As tratativas continuariam até a noite do dia 07 de maio de 1945, tendo sua capitulação total das Forças Nazistas no dia seguinte.

Fonte: 

LONGERICH, Peter. Joseph Goebbels, uma biografia. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2010.

Postado por Diego Saviatto

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O ANIVERSÁRIO DE ADOLF HITLER - DO ARTISTA AO MONSTRO QUE CONHECEMOS


    Há 128 anos, em 20 de abril de 1889, nascia na pequena cidade austríaca de Braunau am Inn, o futuro ditador Adolf Hitler. Filho de Alois Hitler e Klara Pölzl Hitler, Adolf tivera uma infância agitada, repleta de mudanças de uma cidade para outra devido ao trabalho de seu pai. Sua vida já conturbada viera a piorar após a morte de seu irmão mais novo, Edmund, ao qual era muito apegado, somada a aposentadoria decadente e sem expectativas de seu pai, fazendo com que Adolf Hitler viesse a regredir e muito em sua vida acadêmica, além de dar início às severas brigas com seu pai. 
   
O bebê Adolf Hitler
    Após a morte de Alois, o jovem Adolf abandona oficialmente a escola, indo viver em Viena, na tentativa de seguir a tão sonhada carreira artística, financiada pela pensão que recebia em decorrência da morte de seu pai. Para sobreviver, pintava aquarelas dos pontos turísticos de Viena e tentava vendê-las aos turistas. Em 1907, tentara ingressar na famosa Academia de Belas-Artes de Viena, vindo a ser rejeitado por inaptidão técnica no ano seguinte, onde lhe sugeriram que buscasse a carreira de arquiteto, da qual não lhe era possível pelo fato de ter abandonado os estudos. Concomitantemente a isso, sua mãe viera a falecer, fazendo com que sua principal fonte de renda viesse a findar-se. Fora em meio a uma crise existencial e financeira, que, em convivência com a vida boêmia de Viena, viera a ter seu primeiro contato com os ideais antissemitas e os primórdios do movimento pró-germanização, principalmente com o famoso filósofo Georg Ritter von Schonerer. Em 1913, Hitler reunira todo seu dinheiro e se mudara para Munique, a terra dos sonhos para aquele homem fanático pela Alemanha.
    Eis que nas vésperas da Primeira Grande Guerra, Hitler é obrigado a voltar para Áustria para o alistamento (do qual o próprio Hitler ter dito em seu Magnum Opus, Mein Kampf, que não queria se alistar pelo exército Austro-Húngaro pelo fato de haver uma gigantesca miscigenação incorporada ao seu contingente). Sendo assim, Adolf Hitler é reprovado propositalmente no alistamento por inaptidão física e volta a Munique. Quando a Grande Guerra veio a eclodir, Hitler imediatamente se voluntaria para um Regimento de Infantaria da Baviera. Segundo registros históricos, inclusive citados pelo historiador Ian Kershaw em sua obra sobre o ditador, que esse alistamento só se dera mediante um erro. Devido aos ânimos agitados e a intensa correria devido ao estouro da guerra, acabou dando-se a Hitler uma “cidadania alemã”, fazendo com que fosse incorporado às tropas do país. Durante o conflito, Adolf Hitler servira como mensageiro, levando as informações de uma trincheira para a outra, durante os entraves no Front Ocidental, participando de batalhas importantes, como as Batalhas de Ypres, de Arras, Passchendaele e de Somme, onde fora ferido.   


Adolf Hitler durante o período em que serviu ao 
Exército Alemão, na Primeira Guerra Mndial

    Até o término da Grande Guerra, Hitler recebera a honrosa medalha da Cruz de Ferro, por grande bravura (raro crédito para um soldado estrangeiro e de baixa patente, como ele), e um Badge de Ferido, já no final do conflito. Por falar em ferimento, Adolf Hitler viera a se machucar algumas vezes, dentre elas na Batalha do Somme, em outubro de 1916, onde foi ferido na coxa por um disparo de artilharia que caiu perto de sua trincheira, fazendo com que Hitler ficasse por dois meses em um hospital em Beelitz, voltando à ativa em 05 de março de 1917. Já em 15 de outubro de 1918, foi atingido por gás mostarda, ficando temporariamente cego.  Enquanto estava hospitalizado, Hitler fora informado da derrota da Alemanha, vindo a regredir em sua recuperação em decorrência do abatimento causado pela noticia. Os acontecimentos da Primeira Grande Guerra, somados a derrota do país no conflito moldaram ainda mais o espírito ultranacionalista e antissemita de Hitler. E foi a partir desse momento que o Hitler que conhecemos começou a se mostrar.
    Voltando para Munique no pós-guerra, sua única fonte de renda seria permanecer incorporado ao desgastado, derrotado e humilhado exército alemão, vindo a trabalhar como agente infiltrado do Comando de Reconhecimento do Reichswehr, responsável por observar os ânimos e o comportamento dos soldados. Fora nesse momento em que Hitler se filiara ao Partido dos Trabalhadores Alemães, que, após influencias ultranacionalistas e antissemitas vindas do próprio Hitler e de seu mentor, Dietrich Eckart, alterou o nome do partido para o famigerado NSDAP - Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (em português, Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, vulgo Partido Nazista). Eis que a base do Nazismo estava posta, as peças estavam se ajustando ao tabuleiro, e o futuro da Alemanha derrotada e enfraquecida iria mudar para sempre.

Adolf Hitler no começo de sua carreira política
    Eis que, em 1920, Hitler abandona de vez a carreira militar, sendo dispensado do exército. Agora ele poderia trabalhar em tempo integral nos ideais do novo partido. O modelo antissemita e e ultranacionalista do partido era contribuído pelo espírito do Dolchstoßlegende (Teoria da Punhalada nas Costas), do qual muitos alemães, principalmente os de Munique, espalhavam em plenos pulmões que a culpa da derrota alemã na Primeira Guerra, bem como toda a privação decorrente a ela, era culpa dos Marxistas e Comunistas (posteriormente vinculados a figura e imagem dos banqueiros e políticos judeus), que traíram e apunhalaram os alemães puros, ao usarem de sua malícia, influência e liderança política para forçar o armistício do país. 

Cartaz alemão da época do pós-guerra, ilustrando a Dolchstoßlegende

  Um dos objetivos iniciais do recém fundado Partido Nazista era a total aniquilação do comunismo/marxismo da Alemanha, assim como destruir a base política da Nova República, baseada em Weimar, que alegavam estar corrompida pelo Marxismo e pelo Bolchevismo. Os demorados e intensos discursos de Hitler passavam a atrair cada vez mais seguidores a cervejaria de Munique, incluindo o futuro Alto Escalão do governo Nazista, como Hermann Goering, Rudolf Hess e Ernest Röhm. Este último recebera das mãos de Hitler, alguns meses mais tarde, o papel de recrutar e organizar a principal tropa miliciana armada do partido, a Sturmabteilung, ou SA. Esse agrupamento seria responsável por toda a coação e ameaças contra aqueles que se opunham aos ideais nazistas, garantindo assim o crescimento contínuo e ininterrupto do partido. No ano de 1923, já com um efetivo razoável de seguidores, Hitler e seu mais novo aliado, o veterano de guerra, general Erich Ludendorff, juntamente com outros homens de grande influência no Partido Nazista, como Alfred Rosenberg e Friedrich Weber, botaram em prática aquele que fora um dos planos mais discutidos nas reuniões do partido: o Golpe de Estado contra o governo da Baviera, conhecido como Putsch da Cervejaria. Ao tentar o apoio de políticos influentes, os nazistas esbarraram nos egos e ânimos inflados de Gustav Ritter von Kahr, líder político da Baviera, do general do exército Otto von Lossow e do chefe da polícia local Hans Ritter von Seisser. Estes bateram de frente com Hitler e seus seguidores, pois queriam dar eles próprios um Golpe de Estado, instituindo um governo militar sem a influencia dos nazistas. Como resultado desse levante, cerca de dezesseis membros do Partido Nacional-Socialista, assim como quatro policiais morreram, sem contar os inúmeros feridos.

Alfred Rosenberg (esq), Adolf Hitler (centro) e o Dr Friedrich Weber,
do Freikorps Oberland, durante o Putsch da Cervejaria de Munique
    Após tentar fugir, Adolf Hitler foi preso pelas autoridades alemãs, em 11 de novembro de 1923, acusado de traição contra o Estado. Durante o julgamento, Hitler fez proveito dos holofotes colocados sobre ele, transformando esta situação em mais um de seus demorados discursos. Todavia, a justiça alemã foi inflexível, sentenciando Hitler a 05 anos de prisão, em Landsberg, em 01 de abril de 1924. Durante esse período, Hitler foi muito bem tratado, recebendo inúmeras visitas. Ele foi liberado muito antes de cumprir a totalidade de sua pena, ficando preso pouco mais de 01 ano, e saindo após receber o perdão da Suprema Corte e do Governo da Baviera. Durante o tempo encarcerado, acabou aproveitando para escrever sua obra política e de vida, Mein Kampf. Nesta obra, detalhou sua trajetória de vida, além de inspirações e planos políticos para a Nova Alemanha, sob a égide da raça ariana, publicando-o em dois volumes (1925 e 26). Da publicação até as vésperas de sua chegada ao poder, Hitler tinha vendido pouco menos de 300 mil cópias. Todavia, após assumir a chancelaria, mais de um milhão de exemplares seriam comprados em toda a Europa em menos de um ano. Ao retomar a ativa na área política, Hitler teve que reestruturar o partido nazista, tendo agora que respeitar a ordem constitucional, deixando a face agressiva do partido somente para debaixo dos panos.
    Em 1929 o mundo entra numa nova crise, dessa vez de caráter econômico. A Grande Crise de 29, com a quebra da Bolsa de Nova York, afetaram países do mundo todo, como por exemplo, o Brasil e suas plantações e exportações de café. Todavia, um dos países mais atingidos fora a Alemanha, que dependia da economia norte-americana e sua injeção de capital bruto na manutenção de fábricas de produção de material primário, a principal fonte de emprego dos alemães no pós-guerra.  Logo, a situação econômica e social do país, que vinha se estabilizando aos poucos, caiu em um precipício sem fim. O índice de desemprego, que já era assustador, se tornou quase total. Essa situação degradante deu a Hitler e seus correligionários uma das principais bases de campanha, angariando muito mais seguidores. Dentre suas promessas, os nazistas falavam abertamente que iriam ignorar por completo o Tratado de Versalhes, fortalecer a economia e as indústrias, restabelecendo os empregos e a qualidade de vida dos alemães, além de tomar de volta o território que era alemão por direito.
    Uma série de eleições parlamentares fora programada, na tentativa de manter a situação política alemã mais amena e controlada. As eleições de setembro de 1930 substituíram a administração do país, eis que um novo governo se erguia, dessa vez como uma coalizão de minoria. O chanceler Heinrich Brüning, do Partido do Centro, governava a nação por meio de decretos emergenciais, cedidos pelo presidente Paul von Hindenburg. Todavia, como se mostrou em pouquíssimo tempo, essa forma de regimento do país deu vias para o surgimento de governos autoritaristas, inclusive para o Governo Nacional-Socialista. Nessa eleição, Hitler e o Partido Nazista saíram do anonimato de vez, conquistando mais de 18% dos votos e 107 assentos no parlamento, tornando-se a segunda maior bancada no Reichstag. Muito embora, Hitler ainda não possuía a cidadania alemã, impedindo-o de buscar a eleição para a presidência alemã. Isso só se dera em 25 de fevereiro de 1932, quando o ministro do interior da cidade de Brunswick, Dietrich Klagges, nomeou Adolf Hitler como administrador da delegação do estado para o Reichsrat (o órgão que representava os Estados alemães no parlamento da República de Weimar), fazendo de Hitler um cidadão da cidade e, automaticamente, um cidadão alemão.


Ao deixar a Chancelaria do Reich após reunião com o presidente
Paul von Hindenburg,  Adolf Hitler é aclamado por multidão em seu carro.
 Berlim, Alemanha, 19 de novembro de 1932.
    Agora como cidadão alemão, Hitler fez frente ao então presidente, Paul von Hindenburg, durante as eleições presidenciais de 1932. Fora durante a campanha eleitoral desse ano que Hitler sobrevoara a Alemanha, fazendo comícios por todo o país e lançando panfletos de divulgação. Fora uma das primeiras aparições da campanha política em massa com o uso de aeronaves. Mesmo com uma campanha eficiente, o Partido Nazista ficara em segundo lugar, com 36% dos votos. Apesar de  Hindenburg ainda ser muito popular entre os alemães,  não conseguira angariar boa aprovação em seu governo, principalmente pelo fato de seu então chanceler, Kurt von Schleicher, ser muito impopular e deixar o parlamento beirar ao colapso. Eis que sua única opção fora deixar que Hitler compusesse o pleito para a chancelaria, agora do seu lado. Após uma coalizão entre o Partido Nazista e o Partido Popular Nacional Alemão, Hitler enfim conseguira a maioria dos votos com quorum de 03 para 01, se tornando Chanceler da Alemanha, assumindo em 30 de janeiro de 1933.

A população alemã cerca o carro de Adolf Hitler, em comemoração
a sua eleição para Chanceler 
    Após o incêndio do Reichstag, Hitler pedira para que Hindenburg dissolvesse o parlamento e convocasse uma nova eleição para março daquele ano. Ele tinha o intuito de impedir que seus rivais se unissem numa coalizão que o tirasse da chancelaria.
   Em 23 de março de 1933, o Reichstag se reunia oficialmente na Casa de Ópera Kroll sob circunstâncias turbulentas. Essa reunião teve como intuito a votação de uma lei que daria a Hitler, no caso da morte do então presidente, Paul von Hindenburg, a fusão dos poderes de Presidente e Chanceler do Reich. Além disso, essa nova lei, chamada de Gesetz zur Behebung der Not von Volk und Reich (em português, Lei para Redimir a angústia do Povo e do Reich), dava poder ao líder alemão de promulgar leis sem a necessidade de aprovação do Parlamento, como uma medida emergencial de reconstrução da nação, com prazo limitado de 04 anos. Após essa vitória, com quórum de 441 votos a favor e 84 contrários, Adolf Hitler tinha o embasamento legal para, enfim, tornar-se o Líder Supremo da Alemanha. Já em outubro daquele ano, Hitler usou de seus poderes contituídos e retirou a Alemanha da Liga das Nações e da Conferência para o Desarmamento em Genebra.

Na imagem, o então Chanceler do Reich, Adolf Hitler, se curva diante do Presidente Paul von Hindenburg, em 21 de março de 1933, quando o novo Reichstag fora constituído com uma cerimônia feita na Igreja Garrison em Potsdam, pois o prédio do Reichstag havia sido parcialmente destruído por um incêndio criminoso, no mês anterior.
    Em 02 de agosto de 1934, Paul von Hindenburg vinha a falecer por complicações de saúde, motivadas pela sua idade avançada. Agora Hitler tinha em mãos a situação que a nova lei tinha previsto e detivera consigo os poderes de Chancelar e Presidente alemão. Como esses poderes, Hitler se tornou também o Comandante em Chefe das forças armadas. O tradicional juramento militar alemão, de lealdade à Pátria e ao dever de defendê-la, passava a ser um voto de lealdade à pessoa de Adolf Hitler. Em 19 de agosto, a população alemã aprovou, por meio de plebiscito, a fusão da presidência e da chancelaria com quorum de aproximadamente 90%. Dessa forma, Hitler era, a partir de então, o Führer (Líder Supremo), da Alemanha Nazista.
    Após aumentar o efetivo da recém fundada Wehrmacht, o novo exército regular do Reich (um aumento de mais de 600 mil soldados), de atualizar  tonelagem máxima permitida para a Kriegsmarine (Marinha de Guerra) e de criar a nova força aérea, a Luftwaffe, Hitler continuou com uma série de infrações contra o Tratado de Versalhes e os pactos feitos com a Liga das Nações. Em março de 1936, com ordens expressas de Hitler, a Alemanha reocupou a zona desmilitarizada da Renânia e enviou em julho, tropas para auxiliar seu camarada, o Generalíssimo espanhol Francisco Franco, em sua Guerra Civil.
    Para manter o crescimento militar, em detrimento da crise econômica latente em todo o mundo, Hitler emitira o Plano dos Quatro Anos, que iria preparar o país para uma guerra nos próximos quatro anos. Para isso, o governo iria usar de capital dos judeus e marxistas, considerados os inimigos do Estado Alemão, que foram capturados e bloqueados. Propriedades, terras, bens em bancos, obras de arte, assim como quaisquer outros valores, dos de grande monta às míseras pratarias, seriam capturadas para a manutenção do novo Estado Nazista.
    Dentre as atitudes de destaque no pré-guerra, vale ressaltar os eventos de novembro de 1936, quando a Itália assinaria o Pacto de Aço e do ano seguinte, quando Japão viria a integrar o mais novo bloco militar/econômico: O Eixo Berlim-Roma-Tóquio. Em março de 1938, Hitler anexaria a Áustria ao território alemão. O próximo passo seria a anexação dos Sudetos, na Tchecolosváquia. Todavia, fora nesse momento que, pela primeira vez, a Liga das Nações intervira de forma mais acentuada. A Liga dera o ultimato a Hitler, dizendo que, a anexação dos Sudetos deveria ser o último avanço alemão, caso contrário, a guerra seria inevitável. Esse evento em Munique fora chamado por Neville Chamberlain de “A Paz para o nosso tempo”, pois considerava que essas concessões freariam o espírito expansionista de Adolf Hitler.



Assinatura do Pacto Tripartido. Da esquerda para a direita, estão: Saburō Kurusu (representante do Japão), Galeazzo Ciano (Itália) e Adolf Hitler (Alemanha).
    Mas nós sabemos que o avanço alemão estaria longe de acabar. Após invadir os Sudetos, agora Hitler estava de olho num antigo território alemão, que agora estava em posse dos poloneses: o corredor de Danzig, que dava a Alemanha um maior acesso ao Mar Báltico. Já sabendo que a invasão da Polônia implicaria em guerra contra o Reino Unido e a França, Hitler se adiantou e enviou o ministro do exterior alemão, Joachim von Ribbentrop, para assinar um pacto com a União Soviética, que tinha com o intuito preservar a paz entre as duas potências. Em posse desse pacto, assinado em 23 de agosto de 1939, tudo estava pronto para a invasão da Polônia. Isso acontecera em 01 de setembro de 1939 e dera início a Segunda Grande Guerra.

Adolf Hitler discursa na Casa de Ópera Kroll, sede provisória do parlamento alemão, para outros membros do partido, em virtude da Invasão da Polônia
e o começo da Segunda Grande Guerra, em 01 de setembro de 1939
    Após 06 anos de Guerra, em 1945, muita coisa já havia se passado. Onze anos se decorreram desde que Adolf Hitler se tornara Führer, Ele próprio havia sofrido um atentado no ano anterior, perpetrado por oficiais e comandantes de seu Alto-Escalão. O Grande Reich e a Grande Germânia, que deveriam durar 1000 anos estava se ruindo com nem 12 anos. A grande expansão alemã havia sido freada tanto no Front Oriental, a partir de Stalingrado e no Front Ocidental após a invasão da Normandia no Dia-D. Os inimigos já ultrapassaram as fronteiras do Reich. Os aliados já tinham ocupado as fronteiras além da Bélgica e já dominavam terras germânicas. Os russos estavam às portas de Berlim.
    Já descrentes na "vitória final", o Alto Comando Alemão deixara os suntuosos salões dos prédios oficiais do governo e passaram a ocupar as lúgubres, apertadas e úmidas do Bunker da Chancelaria. Em seu interior, o clima era tenso, com um intenso fluxo de oficiais do alto-escalão das forças armadas alemãs e alguns políticos, todos com ar pesaroso e preocupado de saber que as forças soviéticas estavam as suas portas. No dia 18 de abril de 1945, uma colossal força do Exército Vermelho se espalhou ao redor de toda Berlim, com blindados pesados, aviões de toda ordem e uma maciça infantaria, totalizando um efetivo de 01 milhão e meio de soldados, enfrentando a já enfraquecida e derradeira força nazista nas cercanias da cidade. Apesar da gigantesca inferioridade, os alemães conseguiram barrar por vários dias o avanço total dos soviéticos, derrubando mais de 300 mil soldados inimigos. Hitler foi orientado por alguns companheiros próximos a deixar a cidade, mas seu amor pela nação que ele comandara por anos e o sentimento de orgulho o impediu de tentar uma fuga. 


Uma das últimas aparições de Adolf Hitler em público.
O Führer entrega Cruzes de Ferro para jovens da Hitlerjugend,
por terem abatido blindados soviéticos já nas ruas de Berlim,
durante a luta pela capital alemã
    Dias depois da decisão de ficar e morrer em Berlim, Hitler casa-se com Eva Braun, em 29 de abril de 1945, oficializando a união ao qual já possuíam.  Durante a última reunião do Führer com seu comando, no mesmo dia de seu casamento, concluiu-se que era impossível uma abertura nas linhas inimigas para uma escapatória, para quem sabe "lutar outro dia", tendo-se assumido então, sua derrota. Ele dera a liberdade aos que ali estavam para fugir, largados a própria sorte ante ao cerco dos soviéticos. No dia seguinte, em 30 de abril de 1945, Hitler se despediu dos amigos, militares e partidários que se encontravam em seu bunker e se trancou em sua sala. As 15h30min, ouviu-se um disparo de pistola, e após adentrar o escritório, consumando-se o que já era latente desde a semana anterior: O Führer Adolf Hitler suicidara-se, juntamente com sua esposa, Frau Eva Braun (ou Eva Hitler). Os dois tiveram seus corpos queimados a pedido do próprio Führer,  com o intuito de impedir que se tornassem alvos de martírio público como aconteceu com Mussolini pouco tempo antes. O Todo Poderoso Führer Adolf Hitler, o Lider Supremo do Nacional-Socialismo alemão estava morto, contudo, o III Reich ainda viria a suportar mais uma semana sem seu líder, antes de se render aos Aliados.


Fontes: 

BEEVOR, Antony. Berlim 1945: a queda. 1. ed. - Rio de Janeiro : Best Bolso, 2015;
HITLER, Adolf. Mein Kampf. 1. ed - São Paulo: Editora Centauro. 2016;
KERSHAW, Ian. Hitler. 1. ed - São Paulo: Companhia das Letras. 2010;
STANFFORD, David. Fim do Jogo: 1945 . 1. ed. - Rio de Janeiro : Objetiva, 2014.


Postado por Diego Saviatto