Confira os produtos Jäger Shop

terça-feira, 17 de abril de 2018

A BATALHA DE MONTESE - O AVANÇO DA FEB NA ITÁLIA



Há 73 anos, em 17 de abril de 1945, encerrava a Batalha de Montese, outra grande participação das tropas brasileiras no Teatro de Operações italiano, já nas derradeiras semanas da Segunda Guerra Mundial.  O 6º e 11º Regimentos de Infantaria da 1ª Divisão de Infantaria, apoiados pela 1ª Divisão Blindada norte-americana enfrentaram os remanescentes da 14ª Exercito do Grupo de Exércitos C da Wehrmacht, na comuna de Montese, na região de Modena, na Itália.
 
Blindado M8 Greyhound pertencente ao Esquadrão de Reconhecimento da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária da FEB avança sobre as ruínas da cidade de Montese, após os combates pela tomada do local, em 18 de abril 
          Após as conquistas aliadas na região de Monte Castelo (localizado à pouco mais de 5 km ao sul da região de Montese), ao qual a Força Expedicionária Brasileira cumpriu um importante papel, o avanço se aproximada cada vez mais do norte da Itália, expulsando ou capturando as tropas alemãs do país. As tropas Britânicas do 8º Exército enfrentavam problemas em avançar contra as linhas inimigas, restando ao V Exército dos EUA, ao qual os brasileiros estavam incorporados, progredir em campo inexplorado e com as guarnições alemãs na espera de um ataque.
 A invasão de Montese se deu em duas etapas: Na primeira, que iniciou nas primeiras horas de 15 de abril, dois pelotões do 11º Regimento de Infantaria deveriam atacar os postos avançados alemães, devendo capturá-los. Como já era previsto, os alemães reagiram ferozmente, infringindo algumas baixas no primeiro pelotão, mas que, após algumas horas de intenso combate, cumpriu sua missão. O segundo pelotão ficou preso num campo minado, recebendo um forte ataque de artilharia. Nesse episódio, o comandante do pelotão fora atingido na cabeça por um morteiro, morrendo na hora. Por esse motivo, o segundo pelotão não conseguira cumprir com a missão. A segunda etapa fora a de maior importância para a operação aliada. Após o envio dos primeiros pelotões, um forte efetivo deveria invadir os pontos principais da cidade no começo da tarde de 15 de abril.
 Os alemães esperavam um ataque pelo sul de Montese (passando por Riva di Biscia) e outro entre a mesma cidade e Montello, ambos acompanhados de um movimento de ataque mais a nordeste, pelo Monte Sassobaldini. Nessa região, distante poucos quilômetros das famosas elevações do Belvedere e Della Torraccia, as montanhas não são tão altas. Mas algumas delas, como o Montello e a elevação 927, dominam toda a paisagem e, sem sua posse, seria impossível prosseguir adiante em direção ao vale do rio Panaro.

Patrulha da FEB na região entre Montese e Fanano 
 A ordem de batalha brasileira previa por isso mesmo, a tomada dessas posições através de um ataque frontal. Contudo, desde o dia 22 de março, os alemães dispunham de um plano bem elaborado para cercar as possíveis passagens de tanques e guarnecer as melhores elevações ao norte de Montese. Esse sistema previa o estabelecimento de defesas em profundidade, não guarnecendo apenas a primeira linha (como ocorrera com os alemães em Belvedere). O pivô da defesa da 114ª Divisão da Wehrmacht era justamente o conjunto de elevações ao redor do Montello, logicamente muito mais fácil de guarnecer contra tanques, e onde os brasileiros atacariam. Situada na primeira linha, a cidade de Montese, cuja tomada a FEB anunciaria ainda no primeiro dia de batalha, em si não desempenhava papel especial no dispositivo estabelecido pelo general Strahammer. O que interessava eram as elevações mais atrás: “a defesa e a posse do Montello têm de estar garantidas mesmo que o inimigo ataque de direções convergentes, passando por Montese e, ao norte, pelo Sassobaldini”.
 Finalmente, a 27 de março, o Regimento 741 conseguiu apresentar ao comandante dois prisioneiros de guerra – um inglês e outro brasileiro –, os únicos que a unidade fizera em um mês de combate. O brasileiro pertencia à Companhia do estado-maior do 11º Regimento, mas estava havia dez dias na 3ª Companhia do 1º Batalhão. Ele disse aos alemães que a FEB tinha provavelmente dois regimentos de infantaria na primeira linha e deu também a posição ocupada por cada regimento (e até batalhões), mas o oficial de informações da 114ª continua acreditando que a fronteira entre a 101ª de Montanha e a FEB passava por Montese (na verdade, estava a quase 6 quilômetros dali). As tropas da Wehrmacht já vinham sofrendo com o derradeiro fim da guerra na Europa, e o abastecimento de armas e munições eram os mais prejudicados. Em princípio de março, a 114ª Divisão possuía onze canhões antitanques pesados (esperava-se pelo menos 22), 24 morteiros leves (ao invés de 54), sete pesados (longe dos 28), nenhum canhão pesado, 1.606 bazucas (quando necessitava-se de pelo menos 2.700). Em compensação, tinha 23 canhões leves e certa quantidade de armas capturadas, como 32 metralhadoras pesadas iugoslavas, quatro morteiros austríacos, seis canhões antiaéreos italianos ou 197 carabinas sérvias.

Icônica foto de uma Patrulha Brasileira na subida rumo a Montese
O impulso do ataque brasileiro dependeria muito da rapidez com que os americanos avançassem em seu setor. Se os soldados da 10ª Divisão dos EUA caminhassem muito depressa, a FEB teria obviamente de desviar parte de seus contingentes para cobrir eventuais brechas. Ao final do primeiro grande dia de combates, os alemães admitiriam apenas a perda de Montese, com partes de um batalhão de artilharia deixado ali, mas afirmariam em seus comunicados que o restante da linha de combates não sofrera qualquer alteração. Os soldados brasileiros avançaram até o pé das montanhas fortificadas, com muito custo, e aí a luta começou para valer.  Nos dois dias seguintes, a FEB perderia quase tanta gente como em Monte Castello. Foram especialmente sangrentos os combates do dia 15 pela posse do Montello e da elevação à sua esquerda (do ângulo brasileiro), ou seja, o centro do sistema defensivo alemão. Os alemães apanharam em fogo cruzado pelo menos uma seção de uma companhia brasileira perto de Canelli (a leste de Montese), a qual foi praticamente destruída. Teriam sido pelo menos onze mortos, além de 118 feridos. Na noite do dia 15 para 16, o mais atingido dos batalhões brasileiros, o III batalhão do 11º Regimento de Infantaria, foi retirado da linha de frente.

Evacuação de feridos às vésperas da conquista de Montese pela FEB
Os ataques prosseguem no dia 16 com a mesma intensidade. Os brasileiros efetuaram a rotação de suas tropas, com os alemães registrando, no total, o emprego de seis batalhões de infantaria, ou seja, quase tudo que a FEB podia colocar em primeira linha.  Na manhã de 17 de abril, o reconhecimento alemão notou no adversário “certa calma”, era o final insólito da batalha de Montese. O IV Corpo havia ordenado à FEB que suspendesse seus ataques contra o centro do dispositivo alemão na região. As tropas brasileiras eram necessitadas, sobretudo para cobrir o avanço da 10ª Divisão de Montanha, à sua direita, que fazia bons progressos após um começo hesitante. Quanto aos alemães, sequer teriam tempo de comemorar qualquer vitória na defesa das elevações ao norte de Montese.
Montese destruída pela fogo alemão e aliado
        Após os 03 dias de combate por Montese, quase a totalidade das residências locais haviam sido destruídas pelos incessantes disparos de artilharia, tanto aliada quando alemã. Além dos danos materiais causados aos civis, estes perderam 189 vidas.  A nossa FEB levou a cabo uma campanha irrepreensível quanto à conquista do objetivo, mas a um alto custo: cerca de 430 baixas, dentre 34 mortos e os prisioneiros e feridos. Os alemães tiveram um número de 44 mortos e 453 prisioneiros. As batalhas se estenderam pelos demais montes daquela região, rumo ao norte da Itália, ate o armistício alemão em maio de 1945.


Postado por Diego Saviatto

Fontes:

WAACK, William, As duas faces da glória: a FEB vista pelos seus aliados e inimigos. 1. ed. - São Paulo: Planeta, 2015.


Segunda Grande Guerra

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A BATALHA DE MONTE CASSINO

Há exatos 74 anos, dava-se início a Batalha de Monte Cassino. Durante a campanha italiana, os aliados tentaram impedir que alemães e italianos utilizassem de uma série de fortificações, construída de costa a costa desde o Rio Garigliano desaguando no Mar Tirreno, a oeste, através dos Apeninos até a foz do Rio Sangro na costa do Mar Adriático, a leste.  Durante os combates pela região fortificada, destaca-se a sangrenta batalha ocorrida em Cassino.

Soldado paraquedista alemão em posto de observação, avistando
todo o vale de Monte Cassino

A geografia italiana impunha obstáculos naturais que impediam o avanço de tropas. Aproveitando-se disso, a Itália Fascista, em parceria com o governo alemão, em especial com as Organizações Todt, construíram a Linha de Inverno. O primeiro setor era chamado de “Linha Gustav”, organizado ao sul de Roma, num ponto elevado, que dava a vantagem para os que ali estavam. Essa era a ultima defesa nazi-fascista contra o avanço aliado pela capital. A fortaleza era guarnecida por pelo menos 15 divisões da Wehrmacht, sob o comando do General Albert Kesselring e possuía uma única fraqueza expressiva, que eram os ataques anfíbios, porém os alemães não cogitaram isso como possível, por causa do inverno. No ponto mais alto, encontrava-se a Abadia de Monte Cassino, onde encontravam-se aquarteladas pelo menos 03 divisões de infantaria e duas divisões blindadas da Wehrmacht.
Foram realizadas quatro investidas, tendo a primeira iniciado em 17 de janeiro de 1944, quando duas divisões do X Corpo de Exército Britânico atacaram as posições inimigas, porém sem nenhum sucesso, sofrendo inúmeras baixas, ocasionadas pela artilharia alemã e pelos intensos ataques da XIV Panzer Corps. Enquanto isso, as forças argelinas e marroquinas atacavam as posições da 5ª Divisão de Infantaria de Montanha Alemã, conseguindo segurar os ataques por uma semana, depois disso tiveram que recuar no dia 31 de janeiro. Seguindo no dia 22, os aliados atracaram em Anzio, nas proximidades da Linha Adolf Hitler, com o intuito de atacar a retaguarda alemã, enfrentando forte resistência. Depois de vários planos e tentativas, os aliados optaram por bombardear a Abadia de Monte Cassino, com a única intenção de desativar o prédio que estava sendo usado como posto de observação. E assim foi feito. No dia 15 de fevereiro, os bombardeiros B-17 e B-26 passaram por sobre a abadia, realizando 3 investidas, que começaram às 09h28 contando com aproximadamente 220 aviões. Além do ataque aéreo, as artilharias terrestres abriram fogo contra o prédio com suas armas de 250mm. Dizem que apenas uma parede ficou de pé. Um fato interessante é que depois de todo esse bombardeio na abadia, fora descoberto que ninguém estava lá, os alemães só se posicionaram lá após os bombardeios, nos escombros.

Soldados alemães capturados por tropas britânicas

Depois de incontáveis investidas, eis que no dia 18 de maio, Monte Cassino passa, enfim, para o controle aliado. O 2º Corpo Polonês travou uma batalha de 07 dias para, no dia 18, conseguir controlar a abadia. Agora eles podiam seguir rumo a Roma. Oitocentos e sessenta soldados poloneses morreram e 2.800 ficaram feridos. Os poloneses hastearam sua bandeira no meio dos destroços da abadia. Conseguindo controlar a região de Cassino, os aliados logo se aprontaram para seguir em direção ao seu objetivo. Agora, as forças aliadas estacionadas em Anzio conseguiriam avançar, e no dia 23 de maio efetuaram um ataque por detrás da linha Gustav, num esforço conjunto entre as forças francesas e britânicas. 
Destroços de Monte Cassino após a batalha
Com isso, os alemães são forçados a recuar, passando a defender a partir de Anzio, na tentativa de conter o abastecimento aliado pelo mar. Todavia, mais um fracasso recaiu sobre os alemães, que recuariam mais até ficarem apenas na defesa de Roma, que viria a cair em 04 de junho de 1944. 


Postado por Diego Saviatto

Segunda Grande Guerra







quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

ATAQUE A BASE NAVAL DE PEARL HARBOR

Nas primeiras horas da manhã do dia 7 de Dezembro de 1941, uma equipe de técnicos de um sistema de radares,recentemente instalado nas ilhas do Hawaii, encontrou um distúrbio elétrico que não conseguiram identificar. A mancha que aparecia nos radares foi identificada como uma anomalia típica de um sistema ainda em fase de testes. Todavia, essa mancha estava registrando um devastador ataque que estava prestes a acontecer.


Os japoneses já consideravam a iminência de um entrave contra os norte-americanos, principalmente após as grandes invasões perpetradas pelo Império Japonês nas ilhas do Pacífico,Com isso, decidiram levar a cabo uma operação de ataque surpresa contra a frota americana do Pacífico, tornando assim impossível que esta viesse em auxilio de holandeses e britânicos que lutavam no continente asiático. A operação foi planejada secretamente desde o inicio de 1941, tendo sido criada uma miniatura da base naval, onde se encontravam posicionadas miniaturas dos principais navios da esquadra americana do pacífico.
As forças japonesas estavam organicamente divididas em três divisões, com um total de seis porta-aviões como principais navios da esquadra. A primeira divisão era constituída pelos porta-aviões Akagi e Kaga. A segunda divisão era constituída pelos porta-aviões Hiryu e Soryu. E por fim, a terceira divisão era constituída pelos porta-aviões Zuikaku e Shokaku.
Os porta-aviões transportavam cerca de 400 aeronaves entre aviões bombardeiros, torpedeiros e caças. A frota foi reunida e, a partir de 26 de Novembro, rumou em sigilo para se encontrar em alto-mar. Os navios seguiram uma rota pelo Pacífico Norte onde a possibilidade de ser detectada era menor. No dia 06 de Dezembro, nas vésperas do ataque, os navios encontram-se cerca de 800Km ao norte de Pearl Harbor.
Aviões japoneses se preparam para decolar de
 um Porta-Aviões rumo a Pearl Harbor
Os aviões da primeira leva de ataque descolam dos porta-aviões japoneses por volta das 6 horas da manhã de 07 de Dezembro. Este grupo era constituído por 213 aviões, sendo 86 aviões torpedeiros B5N2 Kate, 81 bombardeiros D3A1 Val e 43 caças de escolta A6M2 Zero. A segunda leva do ataque começou a ser preparada logo que a primeira estava no ar. Seria constituída por um total de 172 aviões, divididos entre 52 B5N2 Kate, 80 D3A1 Val e 40 A6M2 Zero, que descolam dos porta-aviões por volta das 07h00min.

Hangares e aviões em chamas após a primeira leva de ataques

Apesar dos quase 2500 mortos e outros milhares feridos, 14 embarcações seriamente danificadas ou afundadas (entre couraçados, contratorpedeiros, lança-minas e cruzadores), além dos danos à base de Pearl Harbor, é ponto pacífico dos historiadores o real fracasso dessa operação, pois os porta-aviões, principais alvos dos japoneses, não estavam aportados no momento do ataque. Além disso, o ancoradouro dos submarinos e as oficinas de reparo não foram atingidos, permitindo que a Marinha dos Estados Unidos pudesse se recuperar rapidamente, reparando grande parte das embarcações atingidas e entrasse definitivamente na Guerra.

Postado por Diego Saviatto